Diferença entre
SURDOCEGUEIRA e DMU e a relação entre as duas.
O presente texto tem como objetivo descrever a
diferença entre surdocegueira e
deficiência múltipla e a relação entre ambas nas semelhanças no contexto
educacional. Para tanto faz-se necessário buscar a origem dos direitos humanos
independente de ter ou não algum tipo deficiência. A Declaração de Salamanca (Brasil,
1997), ocorrida na Espanha em 1994, gerou no Brasil, a partir de 1998, um
movimento a favor da inclusão, estabelecendo aos órgãos federais e estaduais
diretrizes educacionais e decretos oficiais para matricular as crianças com
deficiência nas escolas regulares.
Cabe
lembrar que, segundo Dens, o princípio fundamental da inclusão é a valorização da
diversidade, pela qual cada pessoa tem uma contribuição a dar. A educação
inclusiva abandona, assim, a ideia de que a criança tem que ser normal para
contribuir.
Para
Bove (1993), a inclusão é uma abertura de educadores e escolas para que a
criança deficiente não fique excluída do convívio dos demais. A inclusão
responsável se faz com profissionais acompanhando a criança, de acordo com as
possibilidades dela e seu nível de comprometimento. Faz-se com todo o cuidado,
desenvolvendo atividades que tragam benefício à criança deficiente no nível em
que ela tem condições de participar, nunca sendo esquecida, nunca permitindo à
professora comum o acúmulo de tarefas. A inclusão é a possibilidade de
participar das atividades comuns a todos, de forma que a criança tenha condições
de fazê-lo, ainda que seja apenas estar no pátio da escola junto com os demais.
A
surdocegueira é uma deficiência única em que o indivíduo apresenta ao mesmo
tempo perda da visão e da audição. É considerado surdocego a pessoa que
apresenta estas duas limitações, independente do grau das perdas auditiva e
visual. A surdocegueira pode ser congênita ou adquirida e não é deficiência
múltipla. Segundo o fascículo (AEE-DM), as pessoas surdocegas estão divididas
em quatro categorias: pessoas que eram cegas e se tornaram surdas; que eram
surdos e se tornaram cegos; pessoas que se tornaram surdocegos; pessoas que
nasceram surdocegos, ou se tornaram surdocegos antes de terem aprendido alguma
linguagem.
Para
Maia (2008), surdocegueira é uma deficiência singular que apresenta perdas
auditivas e visuais concomitantemente em
diferentes graus, levando a pessoa surdocega a desenvolver várias formas de comunicação para entender e
interagir com as pessoas e o meio
ambiente, proporcionando-lhe o acesso às informações, uma vida social com
qualidade, orientação, morbilidade, educação e trabalho.
Deficiência
múltipla é quando uma pessoa apresenta mais de uma deficiência, “é uma condição
heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações
diversas que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o
relacionamento social” (fascículo DMU). As pessoas com deficiência múltipla
apresentam características específicas, individuais, singulares e não
apresentam necessariamente os mesmos tipos de deficiência, podem apresentar
cegueira e deficiência mental; deficiência auditiva e deficiência mental;
deficiência auditiva e autismo e outros.
O
documento do Ministério da Educação, “Saberes e práticas da inclusão.
Dificuldades de comunicação e sinalização: surdocegueira e múltipla deficiência
sensorial”, diz que o desenvolvimento da comunicação dos alunos surdo-cegos
exige atendimento especializado, com estimulação específica e individualizada.
Vale lembrar que, quanto mais precoces forem os estímulos, maiores são as
chances de a criança adquirir comportamentos sociais adequados e usar os
sentidos remanescentes com o melhor aproveitamento possível.
Deficiência
Múltipla é a “associação de duas ou mais deficiências”. No caso de aluno que
apresenta Deficiência Múltipla a unidade escolar deve verificar quais as
deficiências associadas e observar quais são os sistemas de comunicação
utilizados, as necessidades de condições para compreensão e interpretação (Decreto
3298/99).
Para
as crianças com surdocegueira e deficiência múltipla, a Comunicação é o aspecto
mais importante e por isso deve focar toda a atenção na implementação do
programa educacional.
Até
quando a deficiência não predomina na área intelectual, o trabalho pedagógico
deverá está em constante interação com o meio em que se vive. Os professores
que conhecem as características do ambiente educacional podem identificá-las,
promovendo as adequações que ajudarão a participação desses alunos na
turma. Também é importante que percebam e construam um meio de
comunicação buscando recorrer a estratégias, onde o foco está na metodologia
mais acessível para que o aluno se faça ser compreendido, sendo através de gestos, figuras em alto relevo ou
em tinta, ficha de comunicação e alternativa, etc.
Para
a elaboração do currículo e do programa individual faz se necessário o conhecimento
sobre o processo de desenvolvimento de linguagem e comunicação dos surdocegos e
múltiplos deficientes para que os
professores possam ensinar a esses alunos.
A
comunicação é a base sobre a qual se
estabelece o desenvolvimento da pessoa como
parte integrante de uma sociedade. O estabelecimento das relações sociais está condicionado à utilização de um código comum
que permite o desenvolvimento de uma interação
entre dois ou mais indivíduos. Crianças surdocegas e aquelas com deficiência múltipla de etiologia congênita não aprendem a
se comunicar de forma convencional, eles precisam aprender outros sistemas de
comunicação que lhes permitam ter acesso ao meio e estabelecer relações com os outros. Outra semelhança
nas estratégias educacionais é o
desenvolvimento do esquema corporal das
pessoas com surdocegueira e deficiência múltipla que é de estrema importância. Para
que a pessoa possa se auto perceber e perceber o mundo exterior, devemos buscar
sua verticalidade, o equilíbrio postural, a articulação e a harmonização de seus
movimentos, a autonomia em deslocamentos e movimentos, o aperfeiçoamento das
coordenações viso motora, motora global e fina; e o desenvolvimento muscular.
As
pessoas com surdocegueira e deficiência múltipla, que não apresentam graves
problemas motores, precisam aprender a usar as duas mãos. Isso para servir como
tentativa de minorar as eventuais
estereotipias motoras e pela
necessidade do uso de ambas para o desenvolvimento de um sistema estruturado de
comunicação ( fascículo Surdocegueira e deficiência múltipla).
Referências
MEC.
Secretaria de Educação Especial. A Educação Especial na Perspectiva da
Inclusão Escolar Surdocegueira e Deficiência Múltipla. Brasília: 2010.
Serpa,
Ximena. Comunicação para Pessoas Surdocegas. 2005.
Bosco,
Ismênia C. M. G.: MESQUITA, Sandra R. S. H.: MAIA, Shirley R. Coletânea
UFC-MEC/2010: A educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar
- Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010).
MEC.
Secretaria de Educação Especial. Saberes e práticas da inclusão: recomendações
para a construção de escolas inclusivas.
Brasília: 2006. 96 p.