sexta-feira, 18 de abril de 2014

Diferença entre SURDOCEGUEIRA e DMU e a relação entre as duas.

 O presente texto tem como objetivo descrever a diferença entre  surdocegueira e deficiência múltipla e a relação entre ambas nas semelhanças no contexto educacional. Para tanto faz-se necessário buscar a origem dos direitos humanos independente de ter ou não algum tipo deficiência. A Declaração de Salamanca (Brasil, 1997), ocorrida na Espanha em 1994, gerou no Brasil, a partir de 1998, um movimento a favor da inclusão, estabelecendo aos órgãos federais e estaduais diretrizes educacionais e decretos oficiais para matricular as crianças com deficiência nas escolas regulares.
Cabe lembrar que, segundo Dens, o princípio fundamental da inclusão é a valorização da diversidade, pela qual cada pessoa tem uma contribuição a dar. A educação inclusiva abandona, assim, a ideia de que a criança tem que ser normal para contribuir.
Para Bove (1993), a inclusão é uma abertura de educadores e escolas para que a criança deficiente não fique excluída do convívio dos demais. A inclusão responsável se faz com profissionais acompanhando a criança, de acordo com as possibilidades dela e seu nível de comprometimento. Faz-se com todo o cuidado, desenvolvendo atividades que tragam benefício à criança deficiente no nível em que ela tem condições de participar, nunca sendo esquecida, nunca permitindo à professora comum o acúmulo de tarefas. A inclusão é a possibilidade de participar das atividades comuns a todos, de forma que a criança tenha condições de fazê-lo, ainda que seja apenas estar no pátio da escola junto com os demais.
A surdocegueira é uma deficiência única em que o indivíduo apresenta ao mesmo tempo perda da visão e da audição. É considerado surdocego a pessoa que apresenta estas duas limitações, independente do grau das perdas auditiva e visual. A surdocegueira pode ser congênita ou adquirida e não é deficiência múltipla. Segundo o fascículo (AEE-DM), as pessoas surdocegas estão divididas em quatro categorias: pessoas que eram cegas e se tornaram surdas; que eram surdos e se tornaram cegos; pessoas que se tornaram surdocegos; pessoas que nasceram surdocegos, ou se tornaram surdocegos antes de terem aprendido alguma linguagem. 
Para Maia (2008), surdocegueira é uma deficiência singular que apresenta perdas auditivas e visuais concomitantemente  em diferentes graus, levando a pessoa surdocega a desenvolver  várias formas de comunicação para entender e interagir com as pessoas  e o meio ambiente, proporcionando-lhe o acesso às informações, uma vida social com qualidade, orientação, morbilidade, educação e trabalho.
Deficiência múltipla é quando uma pessoa apresenta mais de uma deficiência, “é uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social” (fascículo DMU). As pessoas com deficiência múltipla apresentam características específicas, individuais, singulares e não apresentam necessariamente os mesmos tipos de deficiência, podem apresentar cegueira e deficiência mental; deficiência auditiva e deficiência mental; deficiência auditiva e autismo e outros.
O documento do Ministério da Educação, “Saberes e práticas da inclusão. Dificuldades de comunicação e sinalização: surdocegueira e múltipla deficiência sensorial”, diz que o desenvolvimento da comunicação dos alunos surdo-cegos exige atendimento especializado, com estimulação específica e individualizada. Vale lembrar que, quanto mais precoces forem os estímulos, maiores são as chances de a criança adquirir comportamentos sociais adequados e usar os sentidos remanescentes com o melhor aproveitamento possível.
Deficiência Múltipla é a “associação de duas ou mais deficiências”. No caso de aluno que apresenta Deficiência Múltipla a unidade escolar deve verificar quais as deficiências associadas e observar quais são os sistemas de comunicação utilizados, as necessidades de condições para compreensão e interpretação (Decreto 3298/99).
Para as crianças com surdocegueira e deficiência múltipla, a Comunicação é o aspecto mais importante e por isso deve focar toda a atenção na implementação do programa educacional.
Até quando a deficiência não predomina na área intelectual, o trabalho pedagógico deverá está em constante interação com o meio em que se vive. Os professores que conhecem as características do ambiente educacional podem identificá-las, promovendo as adequações que ajudarão a participação desses alunos na turma.   Também é importante que percebam e construam um meio de comunicação buscando recorrer a estratégias, onde o foco está na metodologia mais acessível para que o aluno se faça ser compreendido, sendo  através de gestos, figuras em alto relevo ou em tinta, ficha de comunicação e alternativa, etc.
Para a elaboração do currículo e do programa individual faz se necessário o conhecimento sobre o processo de desenvolvimento de linguagem e comunicação dos surdocegos e múltiplos deficientes  para que os professores possam ensinar a esses alunos.
A comunicação é a base sobre a qual se estabelece o desenvolvimento da pessoa  como parte integrante de uma sociedade. O estabelecimento das relações sociais está  condicionado à utilização de um código comum que permite o desenvolvimento de uma  interação entre dois ou mais indivíduos. Crianças surdocegas e aquelas com deficiência  múltipla de etiologia congênita não aprendem a se comunicar de forma convencional, eles  precisam aprender outros sistemas de comunicação que lhes permitam ter acesso ao meio e  estabelecer relações com os outros. Outra semelhança nas estratégias  educacionais é o desenvolvimento do esquema corporal  das pessoas com surdocegueira e deficiência múltipla que é de estrema importância. Para que a pessoa possa se auto perceber e perceber o mundo exterior, devemos buscar sua verticalidade, o equilíbrio postural, a articulação e a harmonização de seus movimentos, a autonomia em deslocamentos e movimentos, o aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e fina; e o desenvolvimento muscular.
As pessoas com surdocegueira e deficiência múltipla, que não apresentam graves problemas motores, precisam aprender a usar as duas mãos. Isso para servir como tentativa de minorar as eventuais  estereotipias motoras  e pela necessidade do uso de ambas para o desenvolvimento de um sistema estruturado de comunicação ( fascículo Surdocegueira e deficiência múltipla).

Referências

MEC. Secretaria de Educação Especial. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar Surdocegueira e Deficiência Múltipla. Brasília: 2010.

Serpa, Ximena. Comunicação para Pessoas Surdocegas. 2005.

Bosco, Ismênia C. M. G.: MESQUITA, Sandra R. S. H.: MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A educação  Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010).          
                                    
MEC. Secretaria de Educação Especial. Saberes e práticas da inclusão: recomendações para a construção  de escolas inclusivas. Brasília: 2006. 96 p.

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