Cursista: Raimunda Oliveira Rodrigues
Polo: Boa Vista-RR
EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM
SURDEZ – ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO EM CONSTRUÇÃO
A
surdez tem sido um tema muito discutido entre os gestualistas e
oralistas, há muito atrás as pessoas com surdez não eram vistas como seres
humanos, já que, o que era levado em consideração era sua linguagem, tal
discussão gerava em torno do que seria mais adequado ensinar a essas pessoas,
gestos ou oralidade e com isso a pessoa com surdez deixava de desenvolver seu
potencial individual e coletivo, deixando de exercer sua verdadeira identidade
para praticar a linguagem da comunidade ouvinte da qual fazia parte. No entanto
, a Política Nacional de Educação Especial, numa perspectiva inclusiva veio
para quebrar esses paradigmas que separam pessoas com ou sem deficiência, pois
acreditamos n nessa nova política quando
afirma que:
Não
coadunamos com essas concepções que dicotomizam as pessoas com ou sem
deficiência, pois, antes de tudo, por mais diferentes que nós humanos sejamos,
sempre nos igualamos na convivência, na experiência, nas relações, por sermos
humanos. Mirlene e Josimário
Ferreira(2010).
E na concepção pós-moderno, esperamos
que a pessoa com surdez tenha pleno domínio no bilingüismo, sem que para isso
seja vista como estrangeira em seu próprio país, apesar de muitos estudos e
discussões, há mais perguntas que respostas a esse respeito, mas é importante
lembrar que, a perspectiva inclusiva rompe fronteiras, território, quebra
preconceitos e procurar dar a pessoa com surdez, amplas possibilidades sociais
e educacionais, deixando bem claro que mais importante que uma língua para
pessoas com surdez é estar em ambientes
educacionais estimuladores, que desafie o pensamento e exercitem a capacidade
perceptivo-cognitiva.
Atendimento Educacional
Especializado para pessoas com surdez
O Atendimento
Educacional Especializado, dentro da perspectiva inclusiva ver a pessoa com
surdez, um ser capaz com potencialidades e capacidades, acreditando em seu
pleno desenvolvimento e aprendizagem e suas diferenças respeitadas e garantidas
por lei, que determinam o direito de uma educação bilíngüe. Como afirma
Kozlowski (1998).
A
Proposta Bilíngüe não privilegia uma língua, mas quer dar direito e condições
ao indivíduo surdo de poder utilizar duas línguas; portanto, não se trata de
negação mas de respeito; o indivíduo escolherá a língua que irá utilizar em
cada situação lingüística em que se encontrar. Esta proposta leva em
consideração as características dos próprios surdos,
incluindo a opinião dos surdos adultos com relação ao processo
educacional da criança surda.
O Atendimento
Educacional Especializado está dividido em três momentos pedagógicos e deve
ocorrer para atender o aluno com surdez levando-o a participar das atividades
realizadas em sala de aula e fora dela, dando liberdade de escolha para o
estudante usar a língua de acordo com a necessidade.
O Atendimento
Educacional Especializado para o ensino em Libras: ocorre no horário oposto da
aula da sala comum, o professor deve ministrar as aulas de acordo com o plano
do professor da sala de aula comum e com antecedência para que o aluno possa
acompanhar o conteúdo explicado pelo professor. As aulas devem ser ministradas
coma utilização de bastante recursos visuais e em casos abstratos recorrer a
outros recursos, como teatro.
O Atendimento
Educacional Especializado para o ensino de Libras: este ensino deve ocorrer no
horário oposto ao que o aluno estuda e de acordo com o conhecimento que o mesmo
possui a respeito da língua de sinais e ministrado preferencialmente por
professor com surdez, pois oferece ao aluno com surdez melhores possibilidades
do que o professor ouvinte, pois esse contato favorece a naturalidade no
processo de aquisição da língua. É importante o uso de recursos visuais que
visem maior compreensão do conteúdo. O professor do AEE deve realizar a
avaliação processual do aprendizado do aluno para verificar o desenvolvimento e
a aprendizagem dessa língua.
O Atendimento Educacional Especializado para o
ensino da Língua Portuguesa, depois de muitas discussões polêmicas hoje é
direito do aluno com surdez aprender a língua portuguesa como segunda língua,
pois prepara o aluno com surdez não apenas ler
a própria realidade do mundo, mas falar do outro sentido. Esse atendimento
acontece nas salas multifuncionais e em horário diferente ao da sala de aula
comum e ministrado preferencialmente por uma professora formada em Letras com
conhecimentos linguísticos e teóricos que norteiam o trabalho desse ensino.